domingo, 15 de agosto de 2010

A despedida!...


Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.

Martha Medeiros

8 comentários:

Isa disse...

A despedida é sempre triste.
Pior só mesmo a morte lenta,mas consciente,do Amor.
Saudades de si!
Beijo.
isa.

Pelos caminhos da vida. disse...

Toda a despedida é muito doloroso.

beijooo.

manuel marques disse...

Em amor, não há a última despedide, senão aquela que se não diz .

Beijo.

Daniel Hiver disse...

Esse é um belo texto. Quase fiquei aqui sem adjetivos para descrever o que me passou por dentro. Mas é verdade verdadeira. Eu sei que é!

Manuel Luis disse...

Mesmo as despedidas no aeroporto faz doer.
A quem tenha acontecido este episódio, digo sem querer magoar; o maior "defeito" é não reconhecermos o lindo ser humano que somos. Cheio de amor por tudo e por todos.
A minha tarefa aqui é fazer com que tu te sintas linda e feliz.
Desejo que nunca nos aconteça episódio semelhante.
Beijo de saudade.

Ailime disse...

Amiga,
Toda a separação é dolorosa.
Fé e Esperança em seu caminho e sorrirá de novo.
Beijinho.
Ailime

Manuel Luis disse...

Gostaria de ver o poder que será capaz de nos separar.
Será que passaste por uma metamorfose para a qual não estavas preparada, nem sabias lidar com ela???
Não será um amor verdadeiro que tudo domina!
Beijos e abraços de felicidade.

FLOR DE LIS. disse...

SEU BLOG É LINDO
E MARTHA MEDEIROS NÃO PRECISO NEM DIZER ELA É MARAVILHOSA SEUS TEXTOS EMOCIONAM E SÃO TÃO VERDADEIROS....

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